segunda-feira, março 14, 2011


Carta do Zé agricultor

 
A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbasa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.

Prezado Luis, quanto tempo.

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)


sexta-feira, fevereiro 25, 2011

O tempo passa, ou melhor, ele corre... e amanhã é dia de fechar mais um ciclo e iniciar outro... ou talvez soe melhor, encerrar mais um capítulo e iniciar um novo. Enfim, amanhã fico mais velha e completo 32 anos, vividos como se eu estivesse feito tudo errado. E, não sei pq raios, nessa época começamos a pensar no que vivemos e o que ainda falta, nos erros e acertos... acho que acontece com todos o tal “momento reflexão pré-aniversário”.
A verdade é que, pensando em tudo o que eu queria e desejava, ou imaginava quando era pequena, de tudo que sonhei para mim, nada saiu como eu esperava. Tudo bem, já conversei com Deus sobre isso e disse que não reclamaria mais... mas a manhã é meu aniversário, então, acho que posso ter um momento “reclamação”.
Quando eu era pequena, queria ser astronauta (RS!), achava que viveria aventuras iguais as de “Guerra nas Estrelas”. Ok, eu era apenas criança... Então percebi que ser astronauta não era bem o que eu imaginava e escolhi ser meteorologista. Não é que eu não goste de Meteorologia. Gosto, e muito! Mas, infelizmente, não somos valorizados como deveríamos, como acontece em outros países. E, portanto, me arrependo de não ter escolhido outra profissão. Por exemplo, me arrependo de não ter feito Agronomia. Sim, Agronomia mesmo, pois, apesar de ter nascido e ter crescido em uma cidade grande, eu sou do campo e me dou muito bem soja , milho, trigo, aveia, feijão e até com vacas, ovelhas, galinhas... e terra, claro! Minha mãe diz que ainda tenho tempo, mas quero saber quem vai me sustentar se eu parar de trabalhar para cursar Agronomia.
Quando era pequena, eu também imaginei que casaria cedo, 24 ou 25 anos, e que teria pelo menos 2 filhos... Mas como já perceberam, aos 32, estou solteira (alguns diriam encalhada e um tio diria que fiquei para benzer tormenta) e não tenho filhos (a menos que se possa considerar meus cachorros como filhos, então teria 3). Na verdade, no momento, não tenho nem namorado, piorou um possível pretendente a pai dos meus filhos... RS!!!
Eu também sonhava em morar em uma cidade do interior do Paraná, talvez Rio Grande do Sul... Mas toda vez que tentei sair de São Paulo, não durou mais que 1 ano e acabei voltando. E se me perguntarem se existe alguma chance disso mudar, minha resposta é não. Apesar de ainda desejar muito ir embora de São Paulo, minha profissão parece não permitir que eu me esconda em uma cidade do interior (isso não aconteceria se eu tivesse feito Agronomia).
Resumindo, sinto-me frustrada profissionalmente e pessoalmente tbm. Ótimo! Mas não posso reclamar dos amigos, que são poucos, mais são muito especiais. Nem posso reclamar da minha família, pois meus pais e minha irmã, me apóiam como podem e, se não fosse por eles, eu já teria desanimado há muito tempo.
Não sou feliz como eu havia imaginado quando criança, mas ainda assim sou feliz... do jeito que Deus escolheu para mim.
Sinceramente, acredito no “destino” e que temos que passar por determinadas coisas e que nada acontece por acaso... e que Deus sabe o que é melhor para cada um. Então, estou me esforçando para aceitar que as coisas não saíram como eu queria, mas saíram como Deus queria que saísse.
E que venha mais uma etapa da minha vida para que eu possa fazer o melhor do que me for apresentado do meu “destino”...

terça-feira, novembro 23, 2010

A  VIDA NOS DÁ MOMENTOS INESQUECÍVEIS

QUE JAMAIS SERIAM ESQUECIDOS

MAS AS LEMBRANÇAS VÃO SE APAGANDO

E O TEMPO QUERENDO SUMIR COM TUDO

AÍ VEM A SAUDADE

E NÃO TEM MAIS JEITO

TUDO RETORNA NA MENTE

E DE REPENTE APARECE

AQUILO TUDO NOVAMENTE

QUE AINDA DENTRO DO CORAÇÃO GUARDAMOS

MAS QUE MUITAS VEZES A MENTE ESQUECE...

quarta-feira, outubro 13, 2010

Você precisa ter sonhos, para que possa se levantar todas
as vezes que cair. Acreditar, que a toda hora, acontecerá coisas boas
e mudará o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos.
Os pequenos, são as felicidades mais rápidas, os grandes, lhe
darão força para suportar a espera dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias, assim
como se rega uma planta, para que cresça...
Você precisa dizer sempre, a você mesmo:
Vou conseguir!  Vou superar!  Vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você estará cultivando sua luz, a luz de
sempre ter esperanças, que nunca poderá se apagar.

segunda-feira, setembro 13, 2010


Simpatia para Emagrecer (Chico Xavier)

Numa quarta-feira de manhã, coloque dentro de 1 copo o número de grãos de arroz correspondente aos quilos que você deseja perder e acrescente água filtrada até a metade. Não coloque mais grãos além dos quilos que deseja perder, pois os quilos perdidos não serão recuperados. À noite, beba a água, deixando os grãos de arroz e coloque novamente água filtrada até metade do copo. Repita esse mesmo ritual na quinta-feira. Na manhã da sexta-feira, em jejum, beba a água junto com o arroz. Você deve utilizar o mesmo copo durante os 3 dias e divulgar essa simpatia na mesma semana. O copo, depois de lavado, pode ser reutilizado.